IGREJA DO ROSÁRIO

Texto fornecido pelo CONDEPACC


Segundo Benedito Otávio, a capela do Rosário, provisória e primitiva, foi construída em taipa de pilão, por iniciativa do Pe. Antonio Joaquim Teixeira de Camargo e inaugurada em 1818 (ou 1917?).
As obras de melhoramentos e ampliações foram ocorrendo, com o tempo, e em 1846, foi rebocada e pintada de branco, para receber D.Pedro II e sua comitiva imperial. Naquela oportunidade, a Igreja recebeu esmerada decoração de Chico Pingurra, especialista na referida arte.
Em 1870, a população de Campinas já era de 30 mil habitantes e as autoridades aclesiásticas sentiram necessidade de dividir a paróquia em duas.
A partir daí, a paróquia do Norte passou a ter a denominação de Santa Cruz de Campinas, sendo sua sede a Matriz Velha (hoje Igreja do Carmo), e a paróquia do Sul teve a denominação de Nossa Senhora da Conceição de Campinas, com sede na Igreja do Rosário, enquanto aguardavam que a Matriz Nova (hoje Catedral Metropolitana de Campinas) ficasse pronta.
Com isso, a capela do Rosário foi recebendo novos e importantes melhoramentos, ganhando aspectos importantes, com duas torres que adornam seu frontispício, por muitos anos. Em 1887, as duas torres foram demolidas por apresentarem perigo à população.
Em 1889, a chefia da organização religiosa de Campinas, passou a ser dos Padres Missionários Filhos do Imaculado Coração de Maria. Segundo eles: “o templo nada tinha para admirar, mas muita coisa para reformar”.
Sobre seu estilo, diziam, era do tipo “manuelino” , comum em quase todas as igrejas antigas. Sua arquitetura era baseada numa “relativa” grande capela, a que chamavam “Capela Mor”.
Em 1907, começaram a demolição das paredes de taipa, da parte mais velha (a Capela Mor), passando, posteriormente, a ser forrada em alvenaria, tijolo e cimento.
Em Maio de 1909, inicio-se a construção do corpo da Igreja e em 1914, já estavam concluídas as obras, restando apenas a decoração. Para as pinturas da Igreja do Rosário, foi contratado o exímio artista alemão (ou austríaco?) Thomaz Sheutel, que as concluiu antes de 1930.
Em 1938, o urbanista Francisco Prestes Maia, em seu Plano de Urbanismo, preconizava o alargamento de várias ruas do centro, entre elas, a Campos Salles e a Francisco Glicério, a fim de modificar a fisionomia da área urbana, dando-lhes maiores recursos de movimentação de tráfico. No plano, o urbanista traçou o desaparecimento de muitos imóveis, entre eles, grandes casarões e a Igreja do Rosário.
Em 1951, Lei no. 640, da Câmara Municipal de Campina, dispunha sobre as construções da Avenidas Francisco Glicério e Campos Salles. No artigo 7º, dizia:
“Em todos os prédios e terrenos alcançados pelo plano traçado por esta lei, não autoriza a Prefeitura, reformas, reconstruções, bem como construções que contribuam para aumentar a durabilidade e valor dos imóveis.”
“único: Só se autorizarão reformas necessárias à conservação dos prédios”
Em Janeiro de 1956, os jornais noticiaram, com bastante alarde, a interdição imediata da Igreja do Rosário.
A justificativa dos engenheiros drs. Ciro B. de Castro e Leôncio Menez, do Departamento de Obras e Viação, da P.M.C., na intenção da referida igreja, era a quantidade muito grande de trincas, constatadas na última vistoria dos mesmos, realizada no dia 24 daquele mesmo mês, e que colocava em risco, seu público freqüentados.
Diziam mais, que a Igreja deveria sofrer reparos imediatos e de vulto.
O resultado do laudo de vistoria foi reconfirmado, dias depois, pelos engenheiros Lix da Cunha, Mário de Camargo Penteado e Rubens Duarte Segurado, nomeados pelos Exmo. Revdo. Dom Paulo de Tarso Campos. Os mesmos colocaram ainda, que a madeira, em muitos pontos da igreja, estava completamente atacada por cupins.
Outros engenheiros de São Paulo, foram chamados para opinar sobre a situação estrutural da igreja, e diferentemente dos laudos anteriores, os mesmos chegaram à conclusão que a Igreja do Rosário deveria ser somente reformada e não demolida.
No entanto, a Lei no 640, de 1951, era clara: não poderiam ser feitas reformas de vulto, em qualquer imóvel da rua Francisco Glicério.
No dia 04 de abril de 1956, foi assinado um acordo de desapropriação de Igreja do Rosário.
Com a desapropriação do imóvel, a P.MC. ficou autorizada a permutar diversos imóveis de propriedade municipal (Conforme Lei no 1457, de 25/04/1956).
De acordo com o Plano de Urbanismo “Prestes Maia”, uma praça pública, ampla, arborizada e de aspecto artístico surgiria naquele local (hoje Praça Guilherme de Almeida).
No dia 9 de Maio de 1956, foi assinada a escritura definitiva, entre a Municipalidade e o Bispado de Campinas, para a desapropriação de Igreja do Rosário e dias depois, mesmo com muitos protestos e consternação da população em geral, começaram sua demolição.
Neste mesmo ano, outras demolições começaram a ocorrer, nas ruas Francisco Glicério e Campos Salles. era o Plano “Prestes Maia”, sendo colocada em prática.
Em agosto daquele mesmo ano, o dr. José de Angilis, médico campineiro, conseguiu autorização das autoridades eclesiásticas para retirar e preservar (por conta própria), as magníficas pinturas que existiam na Igreja do Rosário. Aos poucos, estas obras de arte foram retiradas e restauradas com a dedicação e o dinheiro do médico acima citado, sendo uma destas obras doada à Prefeitura Municipal, na época. Não sabemos, porém, onde a mesma se encontra, na atualidade.
Logo após a demolição da referida Igreja, D. Paulo de Tarso autorizou a construção de outra, no bairro Castelo.
O projeto foi do professor Olavo Sampaio, que aproveitou uma pequena parte do material remanescente da antiga Igreja do Rosário. O novo templo seguiu o mesmo estilo da anterior, inspirada na escola romano-bizantina, tendo porém, uma melhor definição de suas linhas, segundo o autor do projeto.
Em 1979, a igreja já estava praticamente reconstruída.