HISTÓRICO

LARGO DO ROSÁRIO

O Largo do Rosário surge a partir da construção da Igreja do Rosário que foi inaugurada entre 1816 e 1817. O pátio em frente a esta igreja ficou conhecido como Pátio do Rosário.
Com a vinda de D. Pedro II a Campinas a Igreja foi reformada para recebê-lo e pela primeira vez, no ano de 1846, uma multidão de oito ou dez mil pessoas foi ao Largo para o evento. Daí em diante o Largo consolida sua característica como local das multidões.
Também em 1846, Dona Tereza Miquelina Amaral Pompeo, irmã de Joaquim Bonifácio Amaral (Visconde de Indaiatuba), termina a construção de seu sobrado colonial, localizado à Rua Barão de Jaguara com General Osório, tombado pelo CONDEPACC em 1988, que ficou conhecido como Solar de Visconde de Indaiatuba.
Pouco tempo depois o Largo se tornou local de realização de feiras, para benefício da população miserável, que desta maneira poderia comprar produtos sem acréscimo de custo pelos atravessadores.
Em 1873, a prefeitura decide construir três chafarizes na cidade, um deles no Largo. Na época Campinas já havia passado por terríveis epidemias de varíola, e o saneamento ainda era muito precário. Desta forma em 1874 passa a funcionar no Largo um chafariz de bronze, formado por um pedestal com três torneiras.
Nesta mesma época o Largo foi arborizado. Em 1887 por sugestão do vereador José Bento dos Santos o Largo passa a ser denominado Praça Visconde de Indaiatuba. Em 1895, o Largo é novamente remodelado, são tiradas as antigas árvores, substituídas por um jardim, onde são colocados bancos, calçadas, banheiros, iluminação a gás e um novo chafariz.

Até 1908, o largo era considerado a praça mais central, mais bonita e mais bem freqüentada de Campinas, merecendo assim sempre uma atenção especial dos prefeitos, que regularmente a mantinham bem cuidada, com ladrilhos canelados com duas cores, causando ótimo aspecto ao local. Em 1911, vieram do Rio de Janeiro um grupo de calceteiros para executar caminhos de mosaico português no Largo.
Em 1912 foi colocado na praça um monumento em homenagem a César Bierrenbach, hoje localizado a Praça Bento Quirino.
1914, o gradil originalmente colocado em 1895 foi retirado para alargamento dos passeios.
Em 1927, novas intervenções ocorreram na praça, agora os pontos carroçáveis foram alargados, no ano seguinte as ruas de contorno ao jardim foram calçadas com paralelepípedos, os passeios gramados foram substituídos pos passeios de mosaico português.
Em 1931 é retirado o chafariz, hoje o mesmo se encontra na praça na Praça do Pará. Em 1933 foi inaugurado o monumento em homenagem ao Dr. Manoel Ferraz de Campos e Salles.
Nesta época, da revolução de 30, o Largo do Rosário era palco de um verdadeiro quartel general das forças de oposição à Política dos Governadores. Em Outubro de 1930 o Largo explodiu de alegria com a vitória de Getúlio Vargas, outros acontecimentos também levaram a população ao largo, tanto para comemorações, quanto para protestos.
Durante a madrugada do dia 31 de agosto de 1933 as árvores do Largo do Rosário são derrubadas sem aviso à população. Em 1934 o largo sofreu nova remodelação, a parte central foi bastante reduzida e recebeu pavimentação.

“O desenho arquitetônico planejado para aquela remodelação, foi resultado de um traçado que respeitou proporções de dimensão espacial (física, de iluminação [insolação] e ventilação, além, principalmente, de sua função social.
Aquele desenho, concebido e executado numa época de transição entre o movimento art-decó e o movimento modernista marcou um momento importante na história, principalmente, da Arquitetura, em Campinas, em que as linhas retas, um pouco mais geometrizadas, bem verticalizadas, eram características desses movimentos, com tendências mais racionalistas, onde consideravam o homem como unidade de medição do espaço físico, social e cultural, como um todo, demonstrando claramente, a Arquitetura Bancária, do poder (monumental) em plena ascensão!
É interessante observar que vários edifícios, situados so redor do Largo do Rosário, apresentam o tipo de arquitetura daquela época, como por exemplo, o Banco Noroeste, existente até os dias de hoje.”
Condepacc.

Em 1942 são plantadas Alecrins-de-Campinas, em substituição das Cássias Grandis. As novas árvores são derrubadas em 1958 para um novo projeto.
Em 1954, como conseqüência do plano de Urbanismo de Prestes Maia a Igreja do Rosário foi demolida.

Prédio 24
A nova remodelação do Largo do Rosário seguiu os seguintes fundamentos:
1. área emoldurada por edifícios, prédios, concebida propositalmente com uma precisa finalidade;
2. área definida com boas proporções entre suas dimensões;
3. área cujo uso foi legitimado, no decorrer da história da cidade;
4. área com grande importância comercial;
5. área implantada em um espaço urbano onde a dinâmica social e econômica é cada vez maior;
6. área baricêntrica, caracterizada por um grande raio de influência e atração sobre a multidão;
7. área cuja localização é definida estrategicamente para direcionar o tráfico que nela converge.
O monumento a Campos Salles foi transferido para a Praça Heitor Penteado em 1957. Nesta época deu-se o início das novas obras de ‘melhoria da praça’ que só foram efetivamente acabadas no ano de 1968. Porém em 1971 inicia-se um novo projeto para o local, com a finalidade de suprimir as manifestações na praça, estávamos passando pelo regime militar. A nova remodelação não foi a frente, ficando somente no papel.
Em 1980 discute-se um novo projeto para a área, quando surge a idéia de rearborizar o largo. Em 1982 cogitou-se em transformar o Largo em terminal de ônibus. No ano seguinte surge um novo projeto, mais uma vez muito criticado pelo povo. A obra foi iniciada, e logo depois embargada pelo CONDEPHAAT com a alegação de o Largo encontrava-se na Área Envoltória de um Bem Tombado, por aquele Conselho, que era a Catedral Metropolitana (1981), e que tudo o que estava dentro daquela área, deveria ter autorização do mesmo.
Em 1998 tem sua última reforma, com a demolição das marquises e a remodelação do piso e colocação de luminárias, resgatando o projeto de 1934.
O Condepacc em 1996 resolve tombar o espaço vazio da Praça Visconde de Indaiatuba, conhecida como Largo do Rosário, e alguns prédios como o Solar do Barão de Indaiatuba, tombado em 1988 e o Solar do Barão de Ataliba Nogueira, tombado em 1990. Alguns prédios indicados para a preservação estão em processo de tombamento.
Prédio 21
Prédio 08
Prédio 13
Prédio 12
Pelo artigo 3º no parágrafo 8º da Resolução 01 do CONDEPACC, de 19 de dezembro de 1988, fica estabelecido que as novas edificações que ocorrerem no Centro Histórico deverão obedecer ao Zoneamento de Preservação.

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